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Está mais do que claro que a dinastia da família Z chegou ao fim. A Sony agora aposta em uma nova linha de dispositivos que manteve as essências principais dos seus smartphones antigos como o lindo e discreto design omni-balance, as câmeras de qualidade e, óbvio, o preço alto. Este é o Sony Xperia X: um smartphone intermediário, mas tem preço de topo de linha.

A Sony insiste em trazer os dispositivos de fora do Brasil ao invés de fabricá-los em nosso território. Isso acontece com seus consoles e também com seus smartphones, causando um alto custo de importação que precisa ser repassado para as transportadoras e encarece muito o preço final dos produtos.

Entretanto, o curioso é que isso não ocorre apenas por aqui. Mesmo no exterior os consumidores reclamam do preço abusivo que a Sony declara em seus smartphones, e no decorrer desta análise vocês poderão ver que não há pontos positivos o suficiente para que você compre o Xperia X ao invés de um Galaxy ou iPhone.

A Sony conseguiu aperfeiçoar o design dos modelos anteriores, melhorar as câmeras, colocar um excelente leitor biométrico e se aproximar de uma experiência melhor do Android puro. Mas o elevado preço do smartphone acaba com seu ótimo potencial.


XPERIA X
Tela: 5.0 polegadas FHD
CPU: Snapdragon 650
RAM: 3 GB
ROM: 32 GB
Câmera principal: 23 MP, f/2.0 e flash LED
Câmera frontal: 13 MP
Bateria: 2.620 mAh
Dimensões: 142.7 x 69.4 x 7.9 mm

Como sempre, vamos começar pelo design. No primeiro momento em que peguei o celular eu pensei: ele não vale o preço. E mesmo depois de alguns meses testando o dispositivo eu posso afirmar: ele realmente não vale o que é cobrado. Não apenas pelo seu hardware mais modesto (falaremos disso logo mais), mas também por outras funcionalidades presente em smartphones do mesmo preço que não encontramos aqui, como a resistência à água.

Ele é um ótimo smartphone intermediário, mas infelizmente, pelo preço que a Sony o vende, temos celular caro que não vale o preço que é vendido. Mesmo assim, ele não deixa de ter seus pontos fortes.

Graças à tela de 5 polegadas, o X tem uma boa pegada. Dá pra alcançar qualquer parte da tela sem muito esforço. O design omni-balance é harmonioso, tem uma excelente textura tanto na parte frontal como na traseira, é firme, sólido e robusto. O corte do vidro em 2.5D deixa o Xperia X incrivelmente bonito, apesar de simples.

Leitor biométrico e botão liga/desliga

Falando agora de hardware, o Xperia X trás o processador Snapdragon 650 de seis núcleos, sendo dois rodando em 1.8 GHz de arquitetura Cortex-A72 e mais quatro rodando em 1.4 GHz Cortex-A53. A GPU Adreno 510 dá poder para o processamento gráfico do smartphone. Para multitarefas temos 3 GB de memória RAM. O aparelho chega com 64 GB de memória interna e cerca de 50 GB ficam disponíveis para o consumidor.

O Xperia X consegue facilmente rodar a grande maioria dos jogos presente na Play Store. Testamos o Asphalt Xtreme e, apesar de não rodar com perfeição, dando algumas engasgadas quando muitas partículas apareciam na tela e diminuindo a taxa de quadros, ele aguentou muito bem. O mesmo se repetiu com Smash Hit: o aparelho aguenta o tranco muito bem para um processador na categoria entre o intermediário e o topo de linha, mas vai diminuir consideravelmente a quantidade de frames quando o gráfico estiver no máximo.

Para quem gosta de números: no AnTuTu Benchmark o dispositivo registrou um total de 75.335 pontos, ficando próximo do Galaxy Note5. Confira as pontuações completas nas imagens abaixo:

Mas isso tudo é o que esperamos de um Snapdragon 650: não é poderoso o bastante para ser considerado um topo de linha, mas também não é um simples intermediário. Ele oscila entre essas duas categorias e é versátil o bastante para se adequar à grande maioria dos consumidores.

Com a linha Xperia X veio o Android 6.0 Marshmallow e, como consequência, uma excelente remodelada na interface de usuário modificada pela Sony. A fabricante conseguiu se distanciar muito de sua antiga Xperia UI, que era simplesmente horrível (pessoalmente falando, ok?), e se manteve o mais próximo de uma experiência Android Puro, mas com algumas características Sony.

O teclado SwiftKey já vem instalado de fábrica no software da Sony, mas optei por utilizar o GBoard, o teclado do Google. Como diferencial temos também o recurso de dois toques na tela para ligar o dispositivo.

O modelo que testamos recebeu o Android 7.0 durante o período de análise e podemos afirmar que é o melhor software da Google até o momento. Recursos novos que facilitam a usabilidade no dia-a-dia e são fundamentais, como o dividir a tela, trocar rapidamente entre aplicativos, barra de ações melhorada e notificações mais organizadas. Mas um dos upgrades mais aguardados foi a API Vulkan, que deixa os desenvolvedores terem maior acesso à GPU, CPU e memória RAM do dispositivo, garantindo assim um jogo mais suave e estável sem exigir tanto do hardware.

Tirando os ícones padrões da Sony que já vem embutido no dispositivo, não tive uma má impressão com a Xperia UI. Graças à versatilidade do Android, só é preciso baixar um novo pacote de ícones e pronto. Eu me acostumaria com a tela inicial do Xperia X, mas o Nova Launcher ainda não me decepcionou (e, novamente, essa é uma questão pessoal).

A tela do Xperia X tem 5 polegadas, resolução Full HD e usa a tecnologia IPS LCD em conjunto com a Triluminos Display para garantir uma ótima fidelidade de cores. As cores são vívidas e claras, mas a cor branca recebe uma tonalidade mais azulada. Você se acostuma com o tempo, mas se chega de um smartphone com tela AMOLED, pode estranhar no começo.

Ao ar livre, mesmo com incidência direta de luz do sol, você também não vai ter problema em mandar mensagens ou mesmo jogar no dispositivo. Assistir a vídeos mais escuros pode prejudicar, mas temas mais claros não vão sofrer mesmo em luz forte.

Para quem passa muito tempo jogando ou vendo vídeos e séries, a tela pequena do dispositivo pode ser um incômodo, mas sua qualidade surpreende. Mesmo comparando com dispositivos topo de linha, temos uma ótima reprodução de cores e saturação.

Entretanto, mesmo a tela sendo ótima, os vermelhos tendem a ficarem ainda mais vibrantes do que o normal, podendo causar certo desconforto para alguns consumidores.

Esse é o recurso mais mediano no Xperia X: a bateria. Você não vai se surpreender com uma ótima autonomia que dura até dois dias longe da tomada, mas não vai ficar precisando recarregá-la constantemente. Entretanto, deixa a desejar.

Utilizando o smartphone para tirar algumas fotos, constantemente com o Wi-Fi ligado, utilizando as redes sociais e jogando casualmente, você vai conseguir chegar ao fim do dia (18h), mas normalmente com 20% restante, ou menos.

Agora se você for uma pessoa que joga constantemente, ou tira diversas fotos por dia, provavelmente o Xperia X vai te deixar na mão antes do meio da tarde se você começar a utilizá-lo cedo (8 horas da manhã).

Um recurso vantajoso é o de carga rápida herdado do processador, carregando cerca de 60% da bateria por volta de uma hora de relógio. Como eu disse: um recurso mediano que deixa a desejar.

Em relação ao consumo de multimídia como jogos, filmes, séries e músicas, também não há muito o que reclamar. A tela tem ótima qualidade, saturação e cores, mas fica pecando no preto que não é 100% preto. Por conta do painel IPS acabamos vendo um cinza escuro.

Ponto positivo para os speakers frontais! Isso sempre vai ser um grande atrativo, pois além de oferecer um som stereo o áudio é direcionado para o consumidor. A qualidade é muito boa, apesar do volume ser um pouco abaixo do esperado. Dá pra deixar na mesa tocando sua playlist favorita sem problemas, os graves tem uma boa reprodução e por conta de ele ter um nível de som abaixo do normal, os agudos não correm perigo de ficarem distorcidos.

Mas o problema de ter uma tela de 5 polegadas é exatamente o tamanho dela. Enquanto possui um tamanho ótimo para utilizar com apenas uma das mãos, jogos e vídeos podem ficar pequenos para um consumo contínuo.

A Sony não ficou reconhecia apenas por suas ótimas telas e preços elevados, mas também pelos ótimos sensores. Infelizmente, isso não acontece aqui. Com 23 MP, o Xperia X tem uma excelente câmera para um intermediário, porque quando comparado com um dispositivo topo de linha, ele deixa a desejar em vários aspectos.

A reprodução de cores é muito boa em dias claro, de sol forte e até em dias nublados, mas quando o cenário muda para um ambiente escuro, com baixa iluminação ou o entardecer, você percebe que não é uma câmera tão boa assim. As fotos ficam extremamente granuladas e as cores nem chegam perto da realidade. O ajuste de foco é feito por detecções de fase (PDAF) e é ótimo, mas apenas no automático. Você não possui controle de foco manual e também não existe possibilidade de travar a exposição.

O sistema de pós processamento da fotografia é problemático: ele tenta concertar tanto a imagem e deixá-la com a melhor definição possível que, ao aproximar a imagem, você pode perceber a distorção e os granulados nas fotos. Isso ocorre tanto com a câmera traseira quanto a frontal, de 13 MP.

Ela tem foco automático, o que é excelente, mas também trás um modo de embelezamento permanente que você não consegue desativar. Mesmo com tudo no zero, ao tirar uma selfie você vai perceber como é bizarro ter uma pele de cera.

Apesar de tanta negatividade, as câmeras não são ruins. As cores tem um bom equilibro, a estabilização feita via software é ótima, a qualidade também é muito boa e você pode mudar da câmera traseira para a frontal (ou vice-versa) apenas arrastando o dedo de cima para baixo da tela.

Existe uns recursos de realidade aumentada que são legais no início, mas que você nunca vai utilizar.

Em resumo, temos um dispositivo interessante, não fosse o preço absurdo! Mesmo com uma ótima tela, um lindo design, uma boa câmera e um hardware de ponta, o preço do Xperia X acaba com todas as suas chances de fazer um grande sucesso entre o mercado de dispositivos intermediários premium, que é a sua verdadeira categoria levando em consideração o hardware.

O modelo que a Sony nos enviou para análise possui 64 GB de memória RAM chegou ao mercado brasileiro sendo vendido por incríveis R$ 3.299 mas pode ser encontrado por até R$ 2.899. A variante de 32 GB é vendida por R$ 2.799, o que continua muito caro para um smartphone intermediário. Por essa média de preço você pode comprar um iPhone 6S de 32 GB (em torno de R$ 2.699) ou um iPhone 7 de 32 GB por R$ 2.999.

Mas se você ainda está buscando por um dispositivo Android, é melhor investir seu dinheiro em um Galaxy S7 ou S7 Edge ou então em um Moto Z ou Moto Z Play, todos podem ser encontrados entre a faixa de R$ 2.500 ou mais.

Comparando com todos os concorrentes citados, o Xperia X não ganha no quesito de câmera, tela, bateria e muito menos de hardware, mesmo assim está na mesma faixa de preço que os outros. Se você tem o dinheiro para comprar um bom smartphone, não compre o Xperia X, invista seu dinheiro em qualquer outro, porque esse é um aparelho intermediário com preço de topo de linha.

Sony Xperia X
Design omni-balance Leitor de impressão digital surpreendenteBotão dedicado à câmeraAuto falantes frontais
Preço absurdoBateria de pouca capacidade
7.5Pontuação geral
Design e construção9
Hardware8
Software9
Tela7.9
Bateria6.5
Multimídia7.7
Câmeras7.6
Custo x Benefício4